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sexta-feira, abril 30, 2010

Pintelhices

No outro dia ia eu muito bem a caminhar até ao metro na zona do Marquês, quando me deparei com um pré-adolescente que, apesar de caucasiano, usava termos de origem africana (os chamados "dialectos de ternura"). Aparte isso, o rapazinho usava umas calças que iam caindo cintura abaixo e deixavam a roupa interior visível a quem viesse atrás dele.

Não percebo muito bem esta moda e a sua versatilidade, pois o rapaz num espaço de 100 metros, puxou as calças para cima 3 vezes, já para não falar do pouco interesse que tem um tipo vir a observar qual a roupa interior que trás vestido, mas é inevitável.


terça-feira, abril 27, 2010

Cutxi cutxi



Como é que o FC Porto queria ser campeão, se cada vez que alguém marca um golo o Hulk faz isto?
Bom, tendo em conta a polémica que houve por ter sido suspenso 4 meses, que depois afinal eram só uns joguinhos, há muito jogador do FCP motivado para levar com uma "incrível" nalgada.

Agora começo a perceber a teoria do "campeonato dos túneis".


sexta-feira, abril 23, 2010

quinta-feira, abril 22, 2010

De Paris com cagança


Inês de Medeiros é deputada do PS desde Outubro, mas continua a viver em França. Quase todos os fins-de-semana viaja para Paris para se reunir com a família, avança a edição do SOL desta sexta-feira

A rotina – mais cansativa – é parecida com a dos deputados que são eleitos pelos círculos da emigração. A diferença é que este caso é inédito, pois Inês de Medeiros, apesar de viver em Paris foi eleita por um círculo do território nacional.

A actriz, que já tinha sido mandatária da candidatura de Vital Moreira às europeias, foi eleita pelo círculo de Lisboa e, para ter ajuda financeira nas deslocações a casa, tal como os restantes deputados, vai obrigar a uma mudança no regime de ajudas de custo.

Fonte: SOL


Mais uma noticia que me deixa enjoado com este país. É incrível os privilégios que são dados a determinadas pessoas e os custos que isso acarreta para os nossos bolsos.

Se Inês de Medeiros prefere viver em França do que em Portugal, tudo bem, até acho que faz muito bem, mas usarem o dinheiro dos contribuintes para que a burguesa se desloque de avião todas as semanas para estar presente no Parlamento é algo que me deixa com uma enorme comichão...

Já estou a imaginar, a menina a viajar pela Easy Jet, com uma malinha de mão e a a comer a sua sandocha, enquanto aguarda pela check-in.

sexta-feira, abril 09, 2010

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho

Artigo publicado na revista VISÂO online

O PIOOOORRRR!!!!!