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quinta-feira, abril 22, 2010

De Paris com cagança


Inês de Medeiros é deputada do PS desde Outubro, mas continua a viver em França. Quase todos os fins-de-semana viaja para Paris para se reunir com a família, avança a edição do SOL desta sexta-feira

A rotina – mais cansativa – é parecida com a dos deputados que são eleitos pelos círculos da emigração. A diferença é que este caso é inédito, pois Inês de Medeiros, apesar de viver em Paris foi eleita por um círculo do território nacional.

A actriz, que já tinha sido mandatária da candidatura de Vital Moreira às europeias, foi eleita pelo círculo de Lisboa e, para ter ajuda financeira nas deslocações a casa, tal como os restantes deputados, vai obrigar a uma mudança no regime de ajudas de custo.

Fonte: SOL


Mais uma noticia que me deixa enjoado com este país. É incrível os privilégios que são dados a determinadas pessoas e os custos que isso acarreta para os nossos bolsos.

Se Inês de Medeiros prefere viver em França do que em Portugal, tudo bem, até acho que faz muito bem, mas usarem o dinheiro dos contribuintes para que a burguesa se desloque de avião todas as semanas para estar presente no Parlamento é algo que me deixa com uma enorme comichão...

Já estou a imaginar, a menina a viajar pela Easy Jet, com uma malinha de mão e a a comer a sua sandocha, enquanto aguarda pela check-in.

sexta-feira, abril 09, 2010

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho

Artigo publicado na revista VISÂO online

O PIOOOORRRR!!!!!







sexta-feira, março 26, 2010

Sorte

O Benfica venceu o Porto por 3-0. Teve sorte.
Aliás, se há coisa que o Benfica tem tido este ano é sorte. Eliminou o Marselha por sorte, goleou o Everton em duas mãos (7-0) por sorte, e imagine-se, teve a sorte do seu lado nos quatro golos marcados em Alvalade.
Talvez a sorte de vender João Pereira.
Teve sorte nas contratações de Javi Garcia e Ramires.
Teve sorte com Saviola e com Airton.
Di Maria cresceu. Por sorte claro.
E, por sorte, Coentrão faz Queiroz parecer ridículo.
O Benfica tem também a sorte de ter dois Maxis. Um joga a primeira a parte, o outro joga na segunda. É impossível que o mesmo jogador possa correr aquilo tudo.
Muito se tem falado de túneis. E este campeonato é sem duvida o campeonato dos túneis. Perguntem a Tonel, Yobo, Rolando ou Diawara .
O Benfica tem tido mesmo muita sorte.
Enche estádios de Norte a Sul do País Sorte, marca muitos golos e tem a sorte, imagine-se, de sofrer muito poucos.
Sorte essa que fez de David Luiz muito provavelmente o melhor defesa central da Europa.
Sorte também com Luisao, e com o tamanho dos seus bolsos. Cabem lá metade dos avançados da Europa. E para quem por atrevimento quiser ficar de fora, as luvas de Quim têm quilómetros. Os mesmos quilómetros que os Super dragões fizeram para terem três novos motivos para odiar o Benfica. Um motivo aos 9 minutos, um aos 45 e outro aos 92.
Tivemos também muita sorte com Jesus. Desde os primórdios da humanidade se percebeu que com o divino do nosso lado fica mais fácil.
Tivemos sorte com os adversários também. Everton, Marselha, Porto, Sporting, Guimarães, Hertha, Nacional, Marítimo, Paços de Ferreira.... Muita sorte.
Teve sorte com Carlos Martins, com Ruben Amorim, que já marca golos, com Nuno Gomes que é um líder, e que ama o Benfica como um adepto.
E talvez seja essa a maior sorte. Os adeptos. O Benfica só por sorte pode ter adeptos como os que vi no Algarve. Alegres e aos milhares. Noventa minutos a gritar.
O Benfica goleou por sorte, lidera o campeonato por sorte, e só por sorte está nos quartos de final da Liga Europa.
Tem a sorte de ter o melhor marcador do campeonato, o jogador com mais assistências, o melhor ataque e a melhor defesa.
Hoje está um dia bonito. E eu sinto-me com sorte.

Sorte de ter nascido benfiquista.